quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Anjoporuminstante
Caraguatatuba, algum dia do mês de janeiro do ano de 2001, praia de Martin de Sá, mais ou menos 11h da noite
Estávamos meu brother James (Jaime, in memórian) e eu passeando pela praia depois de um dia de trabalho no “bar Abissal” que petencia à Renata que contratou o James para fazer a instalação elétrica do bar que por sua vez me indicou para levar o equipamento e fazer o som no bar durante a temporada daquele verão.
Cheguei em Caraguatatuba no dia 27 de dezembro junto com o Minero e o Cezinha, que nos levou em seu fusca branco.
A aventura começou quando saímos de São Paulo.
Como o fusca do Cézar não estava com os documentos em dia, tivemos que viajar por um caminho alternativo prá fugir da fiscalização, e o caminho escolhido foi uma tal de “estrada da petrobrás”, uma estradinha de terra incravada na serra que serve os veículos pesados da petrobrás.
Imagine uma esterada de terra e pedriscos, precária, sem sinalização, sem indicação alguma e cheia de buracos, uma estrada no meio do nada que parece levar à lugar nenhum que começa na cidade de Salesópolis. Pois é, foi por lá que descemos a serra
Pegamos essa estrada por volta das 5h da tarde sem ter nenhuma noção de quanto tempo leveríamos prá chegar no litoral.
Começamos a descer a serra e em razão da precariedade do caminho o fusca não passava de 40km por hora.
O tempo foi passando, a noite foi caindo, aquele lugar escuro sem placas, no meio do mato. Só não tinha como errar o caminho porque não havia ruas que cruzassem a estrada nem desvios que pudessem nos confundir. Era só aquele caminho sinistro que parecia que estava nos levando a lugar nenhum.
Se não bastasse a noite escura sem luar, começou à chover, mas à chover forte.
Aí sim, começamos a nos preocupar, não estavamos preparados prá imprevistos, estávamos sem água (tudo bem estava chovendo), sem comida, desprevenidos para qualquer emergência, tinhamos que contar com a sorte.
Continuamos nossa aventura, agora com mais emoção porque estava de noite, a chuva aumentou e para piorar o ponteiro do combustível entrou na reserva e não tinhamos a mínima noção da distância que estávamos do litoral.
A preocupação evoluiu para desespero.
Noite escura com aquele temporal num caminho que parecia não ter fim e a gasolina acabando, “mi Dios del Cielo, o que acer”, difícil foi não entrar em desespero, até que chegou num ponto do caminho que apareceu uma estaca fincada da beira da estrada com o número 50.
Olhamos a placa e ficamos na dúvida, o que seria aquela estaca com o número 50.
Paramos, olhamos, tentamos entender, no momento não entendemos mas contínuamos nossa odisséia, até que muitos minutos depois encontramos outra estaca fincada na beira da estrada com o número 49.
Aí sim entendemos o que eram aquelas estacas; era a indicação de quantos kms faltavam para chegar em algum lugar no litoral que não fazíamos idéia de onde seria.
Beleza agora sabíamos que estava perto, mas o que poderia ser um alívio se tornou uma preocupação porque de uma estaca à outra demorava muito; era um olho na estaca e outro no ponteiro da gasolina; a cada estaca o ponteiro baixava um pouco.
E o desespero evoluiu para agonia: estaca 48........47.........46........45.......44........43.......42.
Até que chegamos em um ponto em que avistamos algumas luzes ao longe.
Nunca havia dado tanta importância à uma luz acesa. Quando vimos aquelas luzes comemoramos como se tivéssemos chegado ao cume do Monte Everest depois de uma subida tumultuada, mas não, haviamos chegado no litoral de Caraguatatuba no limite do combustível.
Aí sim achamos o bar Abissal, eram 11:30h da noite do dia 27 de dezembro de 2001.
Terminava assim nossa odisséia de descida da serra. Continua...

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