quarta-feira, 28 de julho de 2010

terceira pessoa
Jonny Bigu tinha esquecido da vida grudado alí na tela.
agora tá num chá de cravo com canela,
adoçado com um mél que veio do Ceará, huummmm!
.....olhou prá um anúncio de cobertor e não resistiu......
seu cobertor tá lá esperando prá lhe esquentar.
Se ele for agora não terá hora prá se levantar....
Vai ter bastante tempo prá sonhar.....

terça-feira, 27 de julho de 2010

dedardó
Estava sentado à beira de um caminho.....
Na sombra de uma árvore....
Ao longe vi que caminhava lentamente, o calor era sufocante.
Percebi que o cansaço a abatia, e quando parou deu pra ver o brilho dos seus olhos quando avistou aquela cascata de águas cristalinas.
Se aproximou, olhou ao redor e se abaixou para saciar a sede que a consumia.
De repente, assim rápido, numa fração de segundo, surgiu aquele animal feroz e a atacou!
Não tive tempo sequer de avisá-la, quanto mais salvar sua vida.
Fiquei alí, paralizado, sem reação diante daquela cena de sangue e morte!
Aquela féra com seu instinto predador ceifou lhe a vida com um golpe fatal.
Terminava alí, dessa forma brutal, a história de sua vida, tendo eu como testemunha.
Ela que estava apenas procurando o caminho que a levaria de volta prá casa.
E hoje quando me lembro daquela cena horrível, ainda ouço o som de seu gemido de morte sendo levada desse mundo. Béérréréréréréééé!
Ela, que só queria voltar prá casa depois de ter se separado do rebanho

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Co incidência 2
Mozanniel (que nessa época era solteiro) e eu estávamos indo prá casa lá pelas 5h da manhã, meio chapados.
Paramos na esquina da avenida e a rua onde moro como era de costume; eramos djs da Sprait na ocasião.
A Sprait prá quem não sabe foi a casa noturna mais badalada aqui da região nos anos 90, a época mágica da dance music.
Paramos prá conversar sobre a noitada, que era sempre regada à dance music, mulher e cerveja, muita cerveja.
No meio do papo, me lembrei de uma piada e comecei a contar pro Mozanniel.
A piada é essa: “eram 2 irmãos que moravam numa fazenda, um era feio e o maior pegador da cidade, o outro era bonitão mas não pegava ninguém. Um dia o irmão bonito perguntou pro outro: “pô cara o que você faz prá pegar tantas minas, sendo tão feinho assim?” o outro respondeu:”mano vou te contar meu segredo, mas isso tem que ficar entre nós, beleza? É o seguinte, toda vez que marco prá sair com alguma mina, logo de manhã antes do sol nascer eu fico na beira do lago só de cueca esperando e atento, na hora que o cavalo dá a primeira relinchada do dia tchibumm!!, pulo no lago e grito 3 vezes: quero bem grande, quero bem grande, quero bem grande, mas tem que ser com convicção, e quando saio da água meu pinto tá enorme e assim fica até a hora de atuar”
O irmão dele ouvindo isso agradeceu foi dormir e no dia seguinte tava lá antes do sol nascer, “mó friaca”, só de cueca na beira do lago esperando a hora certa, então ouviu a relinchada: innnnnririrnrrinrrinrirrnrirrinnnn, (tem que relinchar igual o cavalo prá dar vida à piada) e foi, tchibumm!! gritou 3 vezes quero bem grande, mas quando saiu da água e olhou prá ver, levou o maior susto e saiu gritando assustado e desesperado; tinha aparecido uma xoxota enorme no lugar do pinto dele, tinha sido a égua que relinchou. Kkkk.
Essa é a piada, engraçada né, tá bom, média.
O curioso é que no momento em que estava contado essa história, digo, piada pro Mozaniel, na hora da relinchada, respirei fundo prá relinchar, mas antes mesmo de soltar a relinchada, acreditem surgiu do nada uma relinchada tão alta, no silêncio da manhâ que fêz até eco. Arregalei os olhos olhei pro Mozaniel, ele olhou prá mim e ficamos procurando de onde veio aquela relinchada; pô meu, a gente mora na cidade, tem uma chácara ali perto mas não tem cavalos nem éguas, vêz ou outra aparece alguém andando à cavalo por aqui, mas naquela hora bem no instante em que eu iria relinchar, ou imitar, e um cavalo faz a sonoplastia da piada, quando surge por entre a neblina um velhinho caminhando e puxando um cavalo, um pangaré pela corda.
Começamos a rir tanto que sentamos na calçada às gargalhadas, olhando pro cavalo sendo puxando por aquele homem que ficou rindo também, mas de nós.
Foi a maior coincidência que havia acontecido comigo, até ser convidado pro casório da minha amiga Kátia e o Tófoli, que aconteceu em sua casa.
A cerimônia foi no quintal numa noite estrelada de verão.
Na hora em que eles estavam trocando as alianças e se preparavam prá dar aquele beijo de sempre prá todos aplaudirem....
Como eu estava encostado na parede da casa com mais duas ou três pessoas de frente prá eles eu via os dois e de fundo o céu estrelado; uma bela imagem, e no momento em que eles proximavam os rostos prá se beijarem, passou uma estrêla cadente daquelas que parece que não vai acabar.
A coicidência foi que olhando de onde eu e as outras duas pessoas estavam a estrêla passou bem entre o rosto dos dois, a estrêla passou e as bocas se uniram.
Foi aqule ohhhhhhhhhhhh!, e fiquei sem ação boquiaberto falei “nooooooossa alguém viu isso” alguém tinha que ter visto aquilo senão não ia ter graça, e se eu contasse talvêz não iriam acreditar.
Olhei pro lado e mais duas pessoas tinham visto também e quando contamos o que tínhamos visto foi uma euforia, uma emoção só.
Então surgiram comentários do tipo:”ah é um sinal divino” , “isso foi prá selar a união”, “serão felízes prá sempre”, “é um milagre”.
Milagre? Como sou cético, na hora até me emocionei, mas analizando friamente não tem nada a ver.
Com casório ou sem casório aquela estrêla ia passar; ou será que ela estava lá esperando o momento certo prá ilustrar a cena?
E outra o que vimos não foi a própria estrêla se desmanchado e sim o reflexo da luz que veio viajando pelo espaço por não sei quantos mil anos.
E ainda tem gente que leva a vida baseada em fenômenos como esse.
Foi lindo? foi, mas só isso!
Coincidência!
Anjoporuminstante
Caraguatatuba, algum dia do mês de janeiro do ano de 2001, praia de Martin de Sá, mais ou menos 11h da noite
Estávamos meu brother James (Jaime, in memórian) e eu passeando pela praia depois de um dia de trabalho no “bar Abissal” que petencia à Renata que contratou o James para fazer a instalação elétrica do bar que por sua vez me indicou para levar o equipamento e fazer o som no bar durante a temporada daquele verão.
Cheguei em Caraguatatuba no dia 27 de dezembro junto com o Minero e o Cezinha, que nos levou em seu fusca branco.
A aventura começou quando saímos de São Paulo.
Como o fusca do Cézar não estava com os documentos em dia, tivemos que viajar por um caminho alternativo prá fugir da fiscalização, e o caminho escolhido foi uma tal de “estrada da petrobrás”, uma estradinha de terra incravada na serra que serve os veículos pesados da petrobrás.
Imagine uma esterada de terra e pedriscos, precária, sem sinalização, sem indicação alguma e cheia de buracos, uma estrada no meio do nada que parece levar à lugar nenhum que começa na cidade de Salesópolis. Pois é, foi por lá que descemos a serra
Pegamos essa estrada por volta das 5h da tarde sem ter nenhuma noção de quanto tempo leveríamos prá chegar no litoral.
Começamos a descer a serra e em razão da precariedade do caminho o fusca não passava de 40km por hora.
O tempo foi passando, a noite foi caindo, aquele lugar escuro sem placas, no meio do mato. Só não tinha como errar o caminho porque não havia ruas que cruzassem a estrada nem desvios que pudessem nos confundir. Era só aquele caminho sinistro que parecia que estava nos levando a lugar nenhum.
Se não bastasse a noite escura sem luar, começou à chover, mas à chover forte.
Aí sim, começamos a nos preocupar, não estavamos preparados prá imprevistos, estávamos sem água (tudo bem estava chovendo), sem comida, desprevenidos para qualquer emergência, tinhamos que contar com a sorte.
Continuamos nossa aventura, agora com mais emoção porque estava de noite, a chuva aumentou e para piorar o ponteiro do combustível entrou na reserva e não tinhamos a mínima noção da distância que estávamos do litoral.
A preocupação evoluiu para desespero.
Noite escura com aquele temporal num caminho que parecia não ter fim e a gasolina acabando, “mi Dios del Cielo, o que acer”, difícil foi não entrar em desespero, até que chegou num ponto do caminho que apareceu uma estaca fincada da beira da estrada com o número 50.
Olhamos a placa e ficamos na dúvida, o que seria aquela estaca com o número 50.
Paramos, olhamos, tentamos entender, no momento não entendemos mas contínuamos nossa odisséia, até que muitos minutos depois encontramos outra estaca fincada na beira da estrada com o número 49.
Aí sim entendemos o que eram aquelas estacas; era a indicação de quantos kms faltavam para chegar em algum lugar no litoral que não fazíamos idéia de onde seria.
Beleza agora sabíamos que estava perto, mas o que poderia ser um alívio se tornou uma preocupação porque de uma estaca à outra demorava muito; era um olho na estaca e outro no ponteiro da gasolina; a cada estaca o ponteiro baixava um pouco.
E o desespero evoluiu para agonia: estaca 48........47.........46........45.......44........43.......42.
Até que chegamos em um ponto em que avistamos algumas luzes ao longe.
Nunca havia dado tanta importância à uma luz acesa. Quando vimos aquelas luzes comemoramos como se tivéssemos chegado ao cume do Monte Everest depois de uma subida tumultuada, mas não, haviamos chegado no litoral de Caraguatatuba no limite do combustível.
Aí sim achamos o bar Abissal, eram 11:30h da noite do dia 27 de dezembro de 2001.
Terminava assim nossa odisséia de descida da serra. Cont.......... .


Anjoporuminstante (part2)
Bom voltando ao nosso tema, o James e eu resolvemos tomar uma cerveja num quiosque na beira da praia.
Eram 11 e pouco da noite, chegamos no quiosque, pegamos uma cerveja, fomos para a mesa que estava na areia da praia no quiosque.
Antes de sentarmos e degustarmos aquela cerveja geladinha, resolvemos puxar a mesa prá mais perto do mar, ficando assim destacados do quiosque. Não havia mais pessoas próximas de nós.
Coloquei a cerveja no meu copo, depois no copo do James, fizemos tim tim prá brindar e antes de beber olhei pro mar e alguma força fêz com que eu virasse um pouco meu rosto para o lado direito, e nesse instante começou a acontecer o milagre.
Olhando pro mar avistei uma pessoa entre as ondas, a princípio parecia ser um banhista se divertindo, mas continuei olhando e notei algo estranho, aquela pessoa estava sendo levada pelas ondas e se afogaria.
Olhei pro James e disse: “olha lá Jaime tem um cara se afogando”.
Me levantei rápido e saí correndo em direção ao mar a fim de ajudar aquela pessoa, o James veio em seguida.
Cheguei perto daquele homem, estendi a mão para puxá-lo e enquanto ele alcançava minha mão, numa fração de segundo, olhei no fundo de seus olhos e vi o alívio de quem estava à beira da morte e encontrou a salvação.
Aquele homem viu em mim um anjo enviado por Deus naquele momento para salvá-lo, e a satisfação de estar sendo o salvador da sua vida e a gratidão que enxerguei em seu olhar no instante em que eu o puxava pela mão já foi meu pagamento, minha recompensa por tê-lo salvado. Mesmo que depois me dessem alguma coisa de valor material não teria mais valor do que o orgulho que senti naquele momento por estar sendo útil salvando a vida daquele homem.
Na verdade naquela hora não passou pela minha cabeça que poderia ganhar alguma coisa daquela pessoa que não fosse vê-la bem, e outra, não estava escrito na testa dele se era pobre, rico ou, que me daria alguma coisa por isso.
Eu não queria mais nada, estava satisfeito por ter sido usado por Deus prá salvá-lo; essas coisas não têm preço.
Enquanto o James e eu o tirava da água, percebi que o homem estava alterado e com hálito de quem havia bebido um pouco, então ele falou: “não consegui sair porque tenho trombose no joelho e eles travaram”, nesse instante vieram umas pessoas correndo em nossa direção prá ver o tinha acontecido, e na frente estava uma mulher que era a sobrinha dele: “o que aconteceu” perguntou muito assustada, “salvamos ele antes que se afogasse” disse.
“Ah tio Nelsom porque não nos avisou que vinha pro mar” falou sua sobrinha, depois nos disse o que poderia fazer por nós por tê-lo salvo, então disse naturalmente que não precisava se preocupar com isso e o que interessava era que seu tio estava bem e que voltariamos à mesa prá tomar nossa cerveja. Ela insistiu dizendo: “então deixa eu pagar sua conta, melhor, venham sentar à nossa mesa compartilhar alguns momentos conosco”, queria nos agradar.
Diante de sua insistência aceitamos e fomos com eles, estavam no quiosque ao lado.
Tomamos nossos lugares, veio o garçon, encheu a mesa com porções e bebidas e ficamos ali conversando, quando soubemos que o seu Nelsom era na verdade o Dr Nelsom, um dos diretores, na época, do Banco Bamerindos.
Percebi que no momento em que ele disse que era doutor, ficou esperando que eu “crescesse os olhos” e pedisse alguma recompensa por tê-lo salvo, na verdade era o que queria que fizesse prá que não ficasse me devendo aquele “favor” que tinha feito à ele.
Foi então que aquele homem arrogante, que até então não havia pronunciado nenhuma palavra de agradecimento dirigida ao Jaime e eu, experimentou algo inédito em sua vida.....
(continua)


Anjoporuminstante ( part 3)
Bom, depois de ter salvo a vida daquele pobre homem, que apesar de ser podre de rico, milinário, era pobre de espírito, era carente de valores humanos e sentimentais, valores que realmente fazem a diferença na pessoa.
Aquele homem nunca havia experimentado aquela sensação, e senti que aquilo o estava incomodando.
Ele não falou mas estava implícito nos seus olhos, e o que ele realmente queria dizer era:”PQP, não é possível, tive que ser salvo por esse cara aí, baixinho, magrelo, feínho, e que não tira esse sorriso do rosto, e pior, mesmo sabendo que sou milionário não me pediu nada, ele tem que me pedir alguma coisa prá eu ficar “kites” com ele, não é possível, eu tenho que pagar pelo que ele me fêz, eu sou melhor que ele”.
Mesmo não tendo pronunciado essas palavra, foi essa a leitura que fiz do seu olhar.
Pessoas como ele acham que o dinheiro pode comprar tudo, inclusive pessoas e sentimentos.
Ele não se conformava em ter que dever algum favor prá mim, ainda mais um favor daqueles.
Na sua visão, ele me devia sua vida e tinha que me pagar de alguma forma.
Mas mal sabe ele que já havia me pagado.
No momento em que estendi a mão prá tirá-lo da água, o que vi no fundo de seus olhos foi um agradecimento inconsciente por estar sendo seu anjo salvador, e isso já foi o suficiente prá deixar eu satisfeito e felíz.
Naquela fração de segundo ele não pensou em seu dinheiro, nem em suas propriedades nem em seus amigos milionários, nem em seu uísque com caviar do dia-a-dia; ele só pensou em mim e na felicidade de estar tendo mais uma chance prá viver, que na realidade não era eu quem estava dando aquela chance de vida prá ele e sim Deus, que é o Senhor da Vida e da Morte e que me usou prá fazer aquele milagre, só servi como um instrumento Divino, e sinto orgulho por isso sim.
Mas seu inconformismo com aquilo tudo chegou a um limite que fêz aparecer sua verdadeira face.
Ele achava que estava por baixo diante daquela situação. Achava que eu estava tripudiando dele na conversa que estava tendo com sua sobrinha; na verdade era uma conversa sobre outras coisa , já tinha deixado de lado o assunto do salvamento, eu queria era tomar minha cerveja, comer camarão e me divertir.
Mas ele não se conformou e numa atitude de arrogância total me olhou, ergueu o naríz e disse:”olha aqui “ô muléke” já te disse que sou milionário, tenho num sei quantas propriedades aqui e no exterior, eu limpo a bunda com dinheiro e vou deixar uma bela herança pro meu filho que tem uma moto de um milhao de dólares, e você aí tirando onda com a minha sobrinha, quem você pensa que é?, ela não é pro seu bico nãããão”.
Ele achou que com isso estaria me humilhando como se eu tivesse feito um favor em tê-lo salvado.
Naquele momento todos na mesa ficaram em silêncio, me olhando e esperando alguma reação, alguns acharam que ia baixar a cabeça, outros torciam prá eu levantar e dar uma porrada no meio da sua cara prá calar a boca daquele velho bêbado que só devia dar trabalho e que já estava enchendo o saco de todos, que na maioria eram parêntes e que tinham que ficar quietos porque eram bancados por ele.
Olhei prá ele, ergui o naríz e disse com essas mesmas palavras:”olha aqui o “seu nelsu”, com todo respeito, o senhor pode ser milionário, ter posses, ser não sei o que de sei lá qual banco e pode limpar essa bundona aí com o que você quiser, mas, se não fosse esse cara aqui com pouco dinheiro, baixinho, feínho, magrelo, mas honesto e com muita dignidade e orgulho de ser quem sou ter salvo sua vida, tudo isso que você diz que tem aí não ia valer porra nenhuma prá você”.
Nesse momento congelou a cena, todos travaram, olhei nos olhos de um por um, e vi que me agradeciam. O que disse era o que todos ali tinham vontade de dizer prá ele, mas não podiam dizer porque tinham o rabo preso.
Ninguém demonstrou, mas por dentro de cada um estava uma festa, e o que queriam me dizer era: “caraca meu, valeu cara, até que enfim, esse velho fdp achou alguém que falou umas verdades, ele estava mesmo merecendo e precisando disso, viva o jonny bigu, viiiiiivaaaaaaa”.
Não foi minha intenção, mas já que todos gostaram, vou confessar, eu adorei também dar uma lição naquele cara arrogante.
Então olhei prá ele novamente e ví a fúria em seus olhos, ele não tinha encontrado ainda em toda sua existência alguém que o confrontasse, acostumado a estar acima de tudo e de todos, a mandar e ter todos a seus pés e ter sempre o contrôle das situações, experimentou a sensação de ser contrariado; ficou sem ação por um momento, até que que me olhou e depois de ter tomado umas 7 espanholas gritou: “ora seu muléke” e virou as mesas lotadas de bebida e comida prá cima de mim, mas como estava esperto e já esperava uma reação hostil, me safei e caiu tudo no chão.
Passivo, apenas olhei e lamentei, mais uma vêz ele mostrou ser irracional, repulsivo e sem nenhum valor à ser admirado, só vivia cercado pelas pessoas em razão de suas posses.
Na hora sua sobrinha, com muita educação e morrendo de vergonha me olhou, pediu desculpas e disse prá eu perdoá-lo.
Falei que quem perdoa é Deus e que estava desculpado, afinal até ali a vida não o tinha ensinado certos valores e que tinha aceitado sentar à mesa prá agrada-la por querer retribuir o que havia feito pelo seu tio que por causa de sua arrogância não teve coragem de agradecer.
O James me olhou e disse: “porra bigu você é fd héin meu, valeu, deu uma lição no velho”, pegou na minha mão e me deu um abraço verdadeiro de amigo, aí eu disse pro Jaime: “é meu irmão, tem um pouco de você nisso também, afinal foi com você que aprendi a dizer mais o que penso assim na lata”.
Aceitamos as desculpas, olhamos o velho Nelsom sentado, bêbado, esquecido e desmanchado na areia; no fundo senti foi dó dele, mas foi bom prá ele.
Saímos abraçados e rindo daquilo tudo, porque tava lá um cara que gostava de viver, o JAMES, e tenho certeza, que só por termos salvado aquela vida, foi garantido nosso lugar no céu.
Saímos caminhando pela praia deixando prá tráz aquelas pessoas estarrecidas e com uma bela história prá contar.
Mas acho que tudo isso serviu de lição prá cada um que presenciou tudo aquilo, cada um em seu íntimo aprendeu um pouco, inclusive eu.
Mas na verdade a maior liçaõ quem teve foi o Sr Nelsom em ver que o dinheiro não pode comprar tudo nessa vida, o dinheiro não é tudo na vida, porque esses tipos de pessoas acham que podem comprar tudo.
Que Deus dê longa vida à ele, apesar da idade avançada, têm muita coisa da vida que ele não sabe e que precisa aprender.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Imposição de conduta também é violência (carta aos maridos)

Homens casados deixem suas esposas livres prá terem amigos homens solteiros, elas precisam de nós também.
Palavra de um solteiro com mais de 40 que vive ouvindo desabafos e reclamações de mulheres casadas, fiéis à seus maridos, que me confidenciam que fazem uma força tremenda prá não brigar com eles por podarem a liberdade de terem amigos homens.
Machismo total, inclusive tenho amigas que se separaram de seus maridos por causa de coisas como essa.
Salvem seus casórios antes que seja tarde.
A sensibilidade feminina exige que às vezes tenham que pedir conselhos masculinos, conselhos esses que só podem ser pedidos prá amigos de confiança, e quando não se tem esse amigo ao alcance, metem os pés pelas mãos e comprometem o relacionamento.
“Conselhos não se vendem, são dados por amigos verdadeiros”
Indiretamente a culpa por algumas separações é do marido que não permitiu que sua esposa tivesse oportunidade de ouvir uma opinião masculina sobre seu problema.
Tenho amigas que vivem se desculpando por não poderem ser amigas mais atuantes prá não irritar seus maridos que as impedem por exemplo de add amigos no orkut, facebook, msn, etc...nada a ver né!
Eu as desculpo porque entendo que não quero ser eu motivo de brigas entre eles.
Mas não é legal, sinto que isso às incomodam muito, e às vezes é motivo de discussões que evoluem prá brigas com o passar do tempo.
Será medo de serem desmascarados por outros homens que por serem solteiros possam entregar alguns truques ou artimanhas que só nós homens podemos ver em outros através das atitudes e comportamentos estranhos às mulheres? Que besteira!
“Quem ama de verdade, compartilha a liberdade” tenho dito.
Pô, mulher já é um ser especial, mais sensivel, carrega um filho na barriga durante 9 meses, tem a tal da tpm, um monte de coisas que deve ser chato prá caramba de conviver.
Aguentam de boa e com sorrisos o mau humor dos maridos, e ainda tem que fingir que tá tudo bem por não poderem escolher suas amizades, mas nem as amizades na net elas podem escolher, nada a ver com os tempos de hoje.
Experimente você marido colocar um moodes entre as pernas e sair andando como se tivesse tudo normal, junte a isso um salto alto prá ir trabalhar com aquela cólica que só de pensar como deve ser me dá uma angústia; e elas aguentam isso sorrindo!!
Desafio esses maridos à colocarem uma barriga postiça e andar com ela 6 meses, nem precisa ser 9, e a cada mês adicionar 3 kilos, e olha que prá algumas mulheres ainda é pouco.
Me lembro que minha ex esposa Cláudia aumentou em torno de 20 kilos seu pêso quando ficou grávida do Vini. Só por isso elas deveriam nos ter à seus pés, isso é heroísmo.
Abram os olhos maridões possessivos, dividam suas esposas conosco, amigos delas, sem maldade, porque antes de vocês se casarem já eramos amigos e sempre às respeitamos; agora mais ainda por serem casadas, digo isso pro bem de seus casamentos!
Não sou contra casamento muito menos contra maridos, muito pelo contrário, essa crônica é em favor dos maridos.
Digo isso pro bem dos maridos e também não quero ver minhas amigas tristes por terem brigado por causa de amizade.
Ei cara, talvêz você não perceba, achando que está fazendo a coisa certa, mas ouça quem está de fora.
Já fui casado e digo que a liberdade de escolha de amizades é essêncial no relacionamento, a maioria de vocês sabe disso mas não admite.
Estamos em um tempo em que não há mais espaço pra coisas escusas.
Tudo que fazemos é do conhecimento de alguém , não dá prá fazer nada escondido, e afinal de contas, o que há de mau em ter amigos na internet, é só saber filtrar.
Se houver algo de errado exclui e pronto!
Antes de serem esposas são mulheres, e não pense que tá tudo bem com elas, porque nós homens sabemos que se somos espertos prá fingir, as mulhere dominam melhor essa arte e você pode ter certeza que se está podando sua esposa ela não gosta mas faz o sacrifício de aceitar, porque sabemos que mulher aguenta sofrer muito mais que nós homens.
Libertem suas esposas, delas só queremos a parte principal, que muitos ignoram, alguns desprezam e outros não valorizam e tentam inutilizar, que é o cérebro (que é mais expandido que o nosso), a mente, os pensamentos e o que mais me fascina nas mulheres: as idéias, e não sua forma física ou seu estado social.
Liberdade de escolha já!!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Buracomeupneu
Havia um buraco no meio do caminho
No meio do caminho havia um buraco
Um buraco
Era um buraco no meio do caminho
Só um buraco no meio do caminho
Só desviei do buraco que havia no meio do caminho, ha! ha! ha!
Pssssssssssssss....
Havia outro buraco no meio do caminho.....ohhhhhhhhh!

Aqueles buracos não deveriam estar alí.
Uma fração do meu suor é derramada no dia-a dia prá pagar por isso,
algo está saíndo errado.
Um pneu furado, uma suspenção abalada e parte da culpa é minha mesmo.
Caraca, aquele buraco está lá já faz algum tempo.
Uma fração da negligência é minha.
Aquele buraco é meu também!
Mea culpa, eu ajudei à colocar os funcionários que lá estão prá cuidar de tudo prá mim, porque preciso trabalhar pra levar meu país prá frente.
.....”meu, se juntar só as pessoas que tiveram pneus ou alguma coisa no carro danificadas por causa de coisas como buracos; só aqui onde moro elegeria o prefeito; é ou não é?
Vamos reciclar, esses sanguessugas estão atravancando nossa cidade, nosso país!
Quando não rendemos no trabalho ou fazemos coisa errada, a empresa nos manda embora, e com razão; vamos fazer o mesmo com quem contratamos (elegemos).
O poder é nosso, deles é o trabalho, mas alguns desses funcionários só querem poder.
Phoder com a gente!

sábado, 17 de julho de 2010


Co incidência
Há uns 12 anos atrás, estava eu sentado num banco da praça de fronte à Igreja Santo Antônio, na cidade onde moro, esperando minha meia-namorada; vou explicar: nós andavamos juntos, trocávamos beijos e carícias mas nunca chegamos a assumir o namoro prá outras pessoas.
Depois descobri que ficava comigo só prá chamar a atençao de outro cara, que eu também conheço.
Acabei me apaixonando pela mariah (nome fictício), que não se importava nem um pouco com isso, estava focada em fazer ciúmes pro Ronald (nome fictício), mas essa é outra história.
O que vou contar é uma história de coincidência, sorte ou outra coisa que você acha que possa ter sido; prá mim mera coincidência.
Voltando ao banco da praça; fiquei lá esperando, tínhamos marcado às 7h, mas já passava das 7 e meia.
Pensei e disse à eu mesmo: “deve ter saído mais tarde do trabalho ou o ônibus atrasou, sei lá vou dar uma volta”.
Levantei do banco; desses bancos de concreto armado que ficava rente à borda do gramado que era protegido por uma mureta, havia um espaço de uns 15 cm entre o banco e a mureta.
Saí andando em direção ao centro da cidade, que dava uns 10 minutos, na calçada do mesmo lado da igreja e voltei pelo mesmo caminho mas na calçada do outro lado.
No caminho de volta pensei: “é, vou embora, já era, ela não vem mais mesmo”.
Quando estava à uns 20 metros da igreja, por instinto atravessei a avenida para o lado da igreja, e quando estava passando perto do banco onde estava sentado disse em voz baixa: “poxa vida, tava no maior barato de namorar hoje, dar uns beijos uns amassos e a Mariah nem deu as caras, fazêr o que, o jeito é baixar o fogo e ir prá casa”.
Disse isso olhando pro banco em que eu estava sentado, quando percebi que tinha alguma coisa caída atrás dele, entre o banco e a mureta, aquilo me chamou a atenção, me aproximei prá ver melhor o que era e prá minha surpresa era uma carteira de couro.
Na hora pensei:”putz, achei uma carteira, pelo menos não perdi a viagem, a Mariah não veio mas achei isso”.
Me aproximei e quando me abaixei prá pegar aquela carteira, prá minha surpresa e espanto vi que era minha própria carteira que deve ter caído no momento em que me levantei pra dar uma volta.
Na hora fiquei boquiaberto, sem ação e disse baixinho: “caraca meu, achei minha própria carteira, puta merda”, na hora me lembro que passou uma senhora e resmungou: “xiiii, falando sózinho”, olhei prá ela e retruquei: “aí tia, eu não estou falando sozinho, estou conversando comigo mesmo”. Ela abriu um sorriso e continuou seu caminho.
Em seguida já fui abrindo a carteira prá ver se meus documentos mais uns 50 paus ainda estavam lá, afinal alguém podia ter achado, pegado a grana e jogado lá novamente, mas prá minha alegria minha grana e quase todos meus documentos estavam lá do jeitinho que havia deixado; ufa!
Olhei pro céu, suspirei fundo, saí rindo sózinho e pensando que podia não ter atravessado a avenida porque já havia tomado a decisão de ir embora, mas atravessei e o improvável aconteceu.
Segui meu caminho, passei na padaria, comprei uma lata de refri (não era coca-cola, não quero aqui fazer propaganda de refri, kkkk), e no caminho fui pensando: “ caraca, que puta coincidência, foi a maior que já aconteceu comigo”.
Mas agora me lembrei que outro dia aconteceu outra coicidência tão incrível quanto essa, mas depois eu conto

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Anjoporuminstante ( part 3)


Bom, depois de ter salvo a vida daquele pobre homem, que apesar de ser podre de rico, milinário, era pobre de espírito, era carente de valores humanos e sentimentais, valores que realmente fazem a diferença na pessoa.

Aquele homem nunca havia experimentado aquela sensação, e senti que aquilo o estava incomodando.

Ele não falou mas estava implícito nos seus olhos, e o que ele realmente queria dizer era:”PQP, não é possível, tive que ser salvo por esse cara aí, baixinho, magrelo, feínho, e que não tira esse sorriso do rosto, e pior, mesmo sabendo que sou milionário não me pediu nada, ele tem que me pedir alguma coisa prá eu ficar “kites” com ele, não é possível, eu tenho que pagar pelo que ele me fêz, eu sou melhor que ele”.

Mesmo não tendo pronunciado essas palavra, foi essa a leitura que fiz do seu olhar.

Pessoas como ele acham que o dinheiro pode comprar tudo, inclusive pessoas e sentimentos.

Ele não se conformava em ter que dever algum favor prá mim, ainda mais um favor daqueles.

Na sua visão, ele me devia sua vida e tinha que me pagar de alguma forma.

Mas mal sabe ele que já havia me pagado.

No momento em que estendi a mão prá tirá-lo da água, o que vi no fundo de seus olhos foi um agradecimento inconsciente por estar sendo seu anjo salvador, e isso já foi o suficiente prá deixar eu satisfeito e felíz.

Naquela fração de segundo ele não pensou em seu dinheiro, nem em suas propriedades nem em seus amigos milionários, nem em seu uísque com caviar do dia-a-dia; ele só pensou em mim e na felicidade de estar tendo mais uma chance prá viver, que na realidade não era eu quem estava dando aquela chance de vida prá ele e sim Deus, que é o Senhor da Vida e da Morte e que me usou prá fazer aquele milagre, só servi como um instrumento Divino, e sinto orgulho por isso sim.

Mas seu inconformismo com aquilo tudo chegou a um limite que fêz aparecer sua verdadeira face.

Ele achava que estava por baixo diante daquela situação. Achava que eu estava tripudiando dele na conversa que estava tendo com sua sobrinha; na verdade era uma conversa sobre outras coisa , já tinha deixado de lado o assunto do salvamento, eu queria era tomar minha cerveja, comer camarão e me divertir.

Mas ele não se conformou e numa atitude de arrogância total me olhou, ergueu o naríz e disse:”olha aqui “ô muléke” já te disse que sou milionário, tenho num sei quantas propriedades aqui e no exterior, eu limpo a bunda com dinheiro e vou deixar uma bela herança pro meu filho que tem uma moto de um milhao de dólares, e você aí tirando onda com a minha sobrinha, quem você pensa que é?, ela não é pro seu bico nãããão”.

Ele achou que com isso estaria me humilhando como se eu tivesse feito um favor em tê-lo salvado.

Naquele momento todos na mesa ficaram em silêncio, me olhando e esperando alguma reação, alguns acharam que ia baixar a cabeça, outros torciam prá eu levantar e dar uma porrada no meio da sua cara prá calar a boca daquele velho bêbado que só devia dar trabalho e que já estava enchendo o saco de todos, que na maioria eram parêntes e que tinham que ficar quietos porque eram bancados por ele.

Olhei prá ele, ergui o naríz e disse com essas mesmas palavras:”olha aqui o “seu nelsu”, com todo respeito, o senhor pode ser milionário, ter posses, ser não sei o que de sei lá qual banco e pode limpar essa bundona aí com o que você quiser, mas, se não fosse esse cara aqui com pouco dinheiro, baixinho, feínho, magrelo, mas honesto e com muita dignidade e orgulho de ser quem sou ter salvo sua vida, tudo isso que você diz que tem aí não ia valer porra nenhuma prá você”.

Nesse momento congelou a cena, todos travaram, olhei nos olhos de um por um, e vi que me agradeciam. O que disse era o que todos ali tinham vontade de dizer prá ele, mas não podiam dizer porque tinham o rabo preso.

Ninguém demonstrou, mas por dentro de cada um estava uma festa, e o que queriam me dizer era: “caraca meu, valeu cara, até que enfim, esse velho fdp achou alguém que falou umas verdades, ele estava mesmo merecendo e precisando disso, viva o jonny bigu, viiiiiivaaaaaaa”.

Não foi minha intenção, mas já que todos gostaram, vou confessar, eu adorei também dar uma lição naquele cara arrogante.

Então olhei prá ele novamente e ví a fúria em seus olhos, ele não tinha encontrado ainda em toda sua existência alguém que o confrontasse, acostumado a estar acima de tudo e de todos, a mandar e ter todos a seus pés e ter sempre o contrôle das situações, experimentou a sensação de ser contrariado; ficou sem ação por um momento, até que que me olhou e depois de ter tomado umas 7 espanholas gritou: “ora seu muléke” e virou as mesas lotadas de bebida e comida prá cima de mim, mas como estava esperto e já esperava uma reação hostil, me safei e caiu tudo no chão.

Passivo, apenas olhei e lamentei, mais uma vêz ele mostrou ser irracional, repulsivo e sem nenhum valor à ser admirado, só vivia cercado pelas pessoas em razão de suas posses.

Na hora sua sobrinha, com muita educação e morrendo de vergonha me olhou, pediu desculpas e disse prá eu perdoá-lo.

Falei que quem perdoa é Deus e que estava desculpado, afinal até ali a vida não o tinha ensinado certos valores e que tinha aceitado sentar à mesa prá agrada-la por querer retribuir o que havia feito pelo seu tio que por causa de sua arrogância não teve coragem de agradecer.

O James me olhou e disse: “porra bigu você é fd héin meu, valeu, deu uma lição no velho”, pegou na minha mão e me deu um abraço verdadeiro de amigo, aí eu disse pro Jaime: “é meu irmão, tem um pouco de você nisso também, afinal foi com você que aprendi a dizer mais o que penso assim na lata”.

Aceitamos as desculpas, olhamos o velho Nelsom sentado, bêbado, esquecido e desmanchado na areia; no fundo senti foi dó dele, mas foi bom prá ele.

Saímos abraçados e rindo daquilo tudo, porque tava lá um cara que gostava de viver, o JAMES, e tenho certeza, que só por termos salvado aquela vida, foi garantido nosso lugar no céu.

Saímos caminhando pela praia deixando prá tráz aquelas pessoas estarrecidas e com uma bela história prá contar.

Mas acho que tudo isso serviu de lição prá cada um que presenciou tudo aquilo, cada um em seu íntimo aprendeu um pouco, inclusive eu.

Mas na verdade a maior liçaõ quem teve foi o Sr Nelsom em ver que o dinheiro não pode comprar tudo nessa vida, o dinheiro não é tudo na vida, porque esses tipos de pessoas acham que podem comprar tudo.

Que Deus dê longa vida à ele porque têm muita coisa da vida que ele não sabe e que precisa aprender.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Anjoporuminstante (part2)


Bom, voltando ao nosso tema, o James e eu resolvemos tomar uma cerveja num quiosque na beira da praia.

Eram 11 e pouco da noite, chegamos no quiosque, pegamos uma cerveja, fomos para a mesa que estava na areia da praia no quiosque.

Antes de sentarmos e degustarmos aquela cerveja geladinha, resolvemos puxar a mesa prá mais perto do mar, ficando assim destacados do quiosque. Não havia mais pessoas próximas.

Coloquei a cerveja no meu copo, depois no copo do James, fizemos tim tim prá brindar e antes de beber olhei pro mar e alguma força fêz com que eu virasse um pouco meu rosto para o lado direito, e nesse instante começou a acontecer o milagre.

Olhando pro mar avistei uma pessoa entre as ondas, a princípio parecia ser um banhista se divertindo, mas continuei olhando e notei algo estranho, aquela pessoa estava sendo levada pelas ondas e se afogaria.

Olhei pro James e disse: “olha lá Jaime tem um cara se afogando”.

Me levantei rápido e saí correndo em direção ao mar a fim de ajudar aquela pessoa, o James veio em seguida.

Cheguei perto daquele homem, estendi a mão para puxá-lo e enquanto ele alcançava minha mão, numa fração de segundo, olhei no fundo de seus olhos e vi o alívio de quem estava à beira da morte e encontrou a salvação.

Aquele homem viu em mim um anjo enviado por Deus naquele momento para salvá-lo, e a satisfação de estar sendo o salvador de sua vida e a gratidão que enxerguei em seu olhar no instante em que eu o puxava pela mão já foi meu pagamento, minha recompensa por tê-lo salvado. Mesmo que depois me dessem alguma coisa de valor material não teria mais valor do que o orgulho que senti naquele momento por estar sendo útil salvando a vida daquele homem.

Na verdade naquela hora não passou pela minha cabeça que poderia ganhar alguma coisa daquela pessoa que não fosse vê-la bem, e outra, não estava escrito na testa dele se era pobre, rico ou, que me daria alguma coisa por isso.

Eu não queria mais nada, estava satisfeito por ter sido usado por Deus prá salvá-lo; essas coisas não têm preço.

Enquanto o James e eu o tirava da água, percebi que o homem estava alterado e com hálito de quem havia bebido um pouco, então ele falou: “não consegui sair porque tenho trombose nos joelhos e eles travaram”, nesse instante vieram umas pessoas correndo em nossa direção prá ver o tinha acontecido, e na frente estava uma mulher que era a sobrinha dele: “o que aconteceu” perguntou muito assustada, “salvamos ele antes que se afogasse” disse.

“Ah tio Nelsom porque não nos avisou que vinha pro mar” falou sua sobrinha, depois nos disse o que poderia fazer por nós por tê-lo salvo, então disse naturalmente que não precisava se preocupar com isso e o que interessava era que seu tio estava bem e que voltariamos à mesa prá tomar nossa cerveja. Ela insistiu dizendo: “então deixa eu pagar sua conta, melhor, venham sentar à nossa mesa compartilhar alguns momentos conosco”, queria nos agradar.

Diante de sua insistência aceitamos e fomos com eles, estavam no quiosque ao lado.

Tomamos nossos lugares, veio o garçon, encheu a mesa com porções e bebidas e ficamos ali conversando, quando soubemos que o seu Nelsom era na verdade o Dr Nelsom, um dos diretores, na época, do Banco Bamerindus.

Percebi que no momento em que ele disse que era doutor, ficou esperando que eu “crescesse os olhos” e pedisse alguma recompensa por tê-lo salvo, na verdade era o que queria que fizesse prá que não ficasse me devendo aquele “favor” que tinha feito à ele.

Foi então que aquele homem arrogante, que até então não havia pronunciado nenhuma palavra de agradecimento dirigida ao Jaime e eu, experimentou algo inédito em sua vida.....

(continua)

Mamãocomaçucarcristal

Que saudade daquele tempo em que todos os anos meus pais levavam meus irmãos e eu pra passar as férias de julho em Brazópolis, sul de Minas Gerais.
Primeiro a gente chegava na casa da minha avó Chiquinha e avô Zequinha (mãe e padrasto do meu pai), era só alegria, meus avós ficavam muito felízes em nos ver.
Me lembro que a primeira coisa que eu fazia era correr para o quintal e pegar um mamão maduro. Pedia para alguém descascar, colocava em um prato daqueles esmaltados típicos da roça, aí sim, colocava bastante açucar cristal e comia com o maior gosto, aquele era o momento mais feliz da minha vida. Eu ficava um ano esperando por aquele prato de mamão com açucar da minha vó, que delícia, me lembro como se fosse hoje, ainda agora me veio na boca o gosto de mamão com açucar cristal da vó Chiquinha.
Minha vó era uma amor de pessoa, fazia tudo para nos agradar.
Enquanto me deliciava com meu prato de mamão com açucar, minha vó ia até o terreiro (quintal), colhia algumas espigas de milho e chamava minha mãe e minha irmã para ajudarem na cozinha.
Pegavam as espigas, descascavam, ralavam e preparavam pra fazer pamonha doce, pamonha salgada e curau.
Depois minha vó pegava um saco de amendoim que eles mesmos plantavam, levava prá cozinha e começava ali uma obra de arte.
O amendoim era descascado, torrado, que cheiro bom, e colocado no pilão.
Eu adorava ver a maneira com que minha vó socava o amendoím, olhava seu semblante e via a alegria e a satisfação estampada em seu rosto. Sua felicidade era nos fazer felízes.
O resultado era uma paçoca tão gostosa que arrancava de mim suspiros de prazer.
Como era gostoso ver o trabalho das mulheres na cozinha preparando aquelas coisas deliciosas.
Depois que nos deliciavamos com aquela comida maravilhosa, meus irmãos e eu íamos brincar no quintal, perto de onde meu avô Zequinha deixava uma espécie de varal para curtir o fumo que ele plantava pra seu próprio consumo, aquilo exalava um cheiro forte, mas era bom.
Quando caía a tarde meus pais nos levava pra casa dos meus avós maternos, minha vó Eva e meu avô Sebastião.
Chegando lá corria pro quintal prá um córregao que lá existia, pegava alguns peixinhos prá brincar com meus irmãos e me divertia até cair a noite.(E ainda tem gente que acha que a felicidade está nas coisas materiais).
Jantava e dormia naquele colchão feito de palha de milho que quando a gente se mexia fazia um barulho gostoso..... ahhhhh que sono zzzzzzzzzzzzzz........

Anjoporuminstante (part1)


Caraguatatuba (litoral de SP), algum dia do mês de janeiro do ano de 2001, praia de Martin de Sá, mais ou menos 11h da noite

Estávamos meu brother James (Jaime, in memórian) e eu passeando pela praia depois de um dia de trabalho no “bar Abissal” que petencia à Renata que contratou o James para fazer a instalação elétrica do bar que por sua vez me indicou para levar o equipamento e fazer o som no bar durante a temporada daquele verão.

Cheguei em Caraguatatuba no dia 27 de dezembro junto com o Minero e o Cezinha, que nos levou em seu fusca branco.

A aventura começou quando saímos de São Paulo.

Como o fusca do Cézar não estava com os documentos em dia, tivemos que viajar por um caminho alternativo prá fugir da fiscalização, e o caminho escolhido foi uma tal de “estrada da petrobrás”, uma estradinha de terra incravada na serra que serve os veículos pesados da petrobrás.

Imagine uma esterada de terra e pedriscos, precária, sem sinalização, sem indicação alguma e cheia de buracos, uma estrada no meio do nada que parece levar à lugar nenhum e que começa na cidade de Salesópolis. Pois é, foi por lá que descemos a serra

Pegamos essa estrada por volta das 5h da tarde sem ter nenhuma noção de quanto tempo leveríamos prá chegar no litoral.

Começamos a descer a serra e em razão da precariedade do caminho o fusca não passava de 40km por hora.

O tempo foi passando, a noite foi caindo, aquele lugar escuro sem placas, no meio do mato. Só não tinha como errar o caminho porque não havia ruas que cruzassem a estrada nem desvios que pudessem nos confundir. Era só aquele caminho sinistro que parecia que estava nos levando a lugar nenhum. Até então só havia cruzado por nós um pequeno caminhão velho, caindo aos pedaços que deveria ser de algum comerciante de Salesópolis.

Se não bastasse a noite escura sem luar, começou à chover, mas à chover forte.

Aí sim, começamos a nos preocupar, não estávamos preparados prá imprevistos, estávamos sem água (tudo bem estava chovendo), sem comida, desprevenidos para qualquer emergência, tínhamos que contar com a sorte.

Continuamos nossa aventura, agora com mais emoção porque estava de noite, a chuva aumentou e para piorar, o ponteiro do combustível entrou na reserva e não tinhamos a mínima noção da distância que estávamos do litoral.

A preocupação evoluiu para quase-desespero.

Noite escura com aquele temporal num caminho que parecia não ter fim e a gasolina acabando, “mi Dios del Cielo, o que acer”, difícil era manter o contrôle, mas seguimos firmes e fortes em nosso propósito de alcançar o litoral, até que chegou num ponto do caminho que apareceu uma estaca fincada da beira da estrada com o número 50.

Olhamos a placa e ficamos na dúvida, o que seria aquela estaca com o número 50?

Paramos, olhamos, tentamos entender, no momento não entendemos mas continuamos nossa odisséia, até que muitos minutos depois encontramos outra estaca fincada na beira da estrada com o número 49.

Aí sim entendemos que aquelas estacas era a indicação de quantos kms faltavam para chegar em algum lugar no litoral que não fazíamos idéia de onde seria.

Beleza agora sabíamos que estava perto, mas o que poderia ser um alívio se tornou uma preocupação porque de uma estaca à outra demorava muito; a cada estaca o ponteiro do combustível baixava um pouco.Era uma contagem regressiva nervosa, um olho nas estacas o outro no ponteiro do marcador (que ironia, a gente estava na estrada da petrobrás mas não havia nenhum posto de gasolina).

E o desespero evoluiu para agonia: estaca 48........47.........46........45.......44........43.......42.

Até que chegamos em um ponto em que avistamos algumas luzes ao longe.

Nunca havia dado tanta importância à uma luz acesa. Quando vimos aquelas luzes comemoramos como se tivéssemos chegado ao cume do Monte Everest depois de uma subida tumultuada, mas não, haviamos chegado no litoral de Caraguatatuba no limite do combustível.

Aí sim achamos o bar Abissal, eram 11:30h da noite do dia 27 de dezembro de 2001.

Terminava assim nossa odisséia: descemos a serra. Cont.......... .

terça-feira, 6 de julho de 2010

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Quasemorte

Quinta feira, fevereiro de 2000 em Macaé, litoral do Rio de Janeiro, região dos lagos.
Festival de verão, nos dias que antecederia o carnaval aconteceu algo sobrenatural.
A equipe de som, a qual fazia parte como técnico de áudio pela ribasom a serviço da flat e piaf, estava hospedada numa bela casa na praia de cavaleiros em Macaé.
A equipe: claudinho (torau), pretinho (torau), alexandre(barrela), pit(barrela) e eu(andra).
Os shows aconteciam nos finais de semana e tinhamos os outros dias prá curtir o verão naquele lugar maravilhoso. Acordava cedo caminhava dois minutos até a praia, tomava uma água de côco gelada prá curar aquela ressaquinha e caía no mar.
De segunda á quinta-feira era almoço, praia e à tarde churrasco com cerveja, muita cerveja. O kleber(flat) não come carne, enrolava um big peixe no papel alumínio e botava na churrasqueira, aí armava o som trazia os couros, o manchota pegava o cavaquinho, e aí sim era só alegria até de madrugada.
Na segunda semana do festival que teve como atração na sexta-feira, Cidade Negra e no sábado Banda Eva, estava uma maravilha nessa rotina de água de côco, sol, comida e churrasco com skol.
Após o almoço fomos para o palco (que ficava na praia) ajeitar as coisas para sexta feira.
No começo da noite voltamos prá casa prá tomar banho, como eram cinco pessoas no quarto prá tomar banho, saí sem falar nada e fui tomar meu banho no banheiro que fica no quintal perto da churrasqueira.
Entrei, tranquei a porta e tomei um banho de meia hora, um banho daqueles que deixa a pessoa mais leve e com o astral lá em cima.
Me enxuguei, vesti a roupa e fui sair do banheiro, mas a porta estava emperrada, tentei abrir novamente mas ela insistia em não abrir. Então resolvi usar a força.
Peguei na maçaneta (dessas maçanetas comuns de metal achatado cromado de uns quinze centímetros), e com as duas mãos coloquei bastante força para desemperrar a porta. Então a maçaneta quebrou na minha mão fazendo um corte profundo no meu dedo indicador.
No momento do acidente olhei pro meu dedo que jorrava sangue, foi dando um branco, mas fiz força pra não apagar dizendo prá eu mesmo “não posso apagar, não posso apagar”, abri a torneira prá lavar a mão e apaguei.
Aí sim, algo sobrenatural aconteceu.
Caído no chão molhado do banheiro, sonhei que estava em perigo e gritei instintivamente pela minha mãe assim: “mããããããe”.
Era um sonho mas o grito foi tão real que ressoou no banheiro fazendo um barulhão que me despertou.
Quando despertei não lembrava quem era, onde estava, nem o que havia acontecido, perdi muito sangue..
A memória foi voltando e aos poucos fui lembrando quem era e onde estava, olhei pro chão vi a pôça de sangue, olhei pro meu dedo vi aquele buraco, tentei chamar alguém ma não lembrava o nome de ninguém.
Então de um gemido saiu um nome e falei: “aaah alexandre”, mas foi só um suspiro, a voz não saía, tentei de novo mas a voz quase não saiu.
Olhei pro meu dedo, o sangue no chão e senti que era minha última chance. Se não me ouvissem apagaria de novo e iria sangrar até morrer ou até sentirem falta e me encontrarem..
Fui no fundo do meu íntimo, juntei forças e falei: ”alexandre”, aí sim me ouviram.
Me arrastei até o quiosque da churrasqueira e o primeiro que chegou foi o pretinho, depois o claudinho com o alexandre e por último o pit, que como sempre fêz brincadeira: “pô jonny, você chapou e caiu no banheiro meu”, foi a primeira vez que gostei de uma brincadeira do pit, afinal estava vivo prá ele continuar me zuando por muito tempo.
Queriam me levar pro hospital, levaria no mínimo dez pontos, mas não fui (tenho mó medo de agulha).
No outro dia fui à farmácia, comprei um analgésico, um antí-inflamatório, me auto mediquei. Então á noite trabalhei no show do Cidade Negra, no sábado Banda Eva e no domingo o corte havia cicatrizado o remédio acabado e como eu tenho o sangue bom, estava pronto pro churrasco de novo.
Algo sobrenatural aconteceu naquela noite, uma força estranha em meu sonho me fêz gritar e meu grito fêz eco no banheiro me despertando daquela viagem, eu me acordei. Se não fosse o sonho talvez não voltaria; sangraria até a morte!
Uma força estranha, que cada um dentro de sua crença tem uma forma de chamar, me tirou do caminho da morte e me trouxe de volta à vida.
Foi uma das experiências mais importantes da minha vida.
Eu quase morri?