segunda-feira, 12 de julho de 2010

Anjoporuminstante (part1)


Caraguatatuba (litoral de SP), algum dia do mês de janeiro do ano de 2001, praia de Martin de Sá, mais ou menos 11h da noite

Estávamos meu brother James (Jaime, in memórian) e eu passeando pela praia depois de um dia de trabalho no “bar Abissal” que petencia à Renata que contratou o James para fazer a instalação elétrica do bar que por sua vez me indicou para levar o equipamento e fazer o som no bar durante a temporada daquele verão.

Cheguei em Caraguatatuba no dia 27 de dezembro junto com o Minero e o Cezinha, que nos levou em seu fusca branco.

A aventura começou quando saímos de São Paulo.

Como o fusca do Cézar não estava com os documentos em dia, tivemos que viajar por um caminho alternativo prá fugir da fiscalização, e o caminho escolhido foi uma tal de “estrada da petrobrás”, uma estradinha de terra incravada na serra que serve os veículos pesados da petrobrás.

Imagine uma esterada de terra e pedriscos, precária, sem sinalização, sem indicação alguma e cheia de buracos, uma estrada no meio do nada que parece levar à lugar nenhum e que começa na cidade de Salesópolis. Pois é, foi por lá que descemos a serra

Pegamos essa estrada por volta das 5h da tarde sem ter nenhuma noção de quanto tempo leveríamos prá chegar no litoral.

Começamos a descer a serra e em razão da precariedade do caminho o fusca não passava de 40km por hora.

O tempo foi passando, a noite foi caindo, aquele lugar escuro sem placas, no meio do mato. Só não tinha como errar o caminho porque não havia ruas que cruzassem a estrada nem desvios que pudessem nos confundir. Era só aquele caminho sinistro que parecia que estava nos levando a lugar nenhum. Até então só havia cruzado por nós um pequeno caminhão velho, caindo aos pedaços que deveria ser de algum comerciante de Salesópolis.

Se não bastasse a noite escura sem luar, começou à chover, mas à chover forte.

Aí sim, começamos a nos preocupar, não estávamos preparados prá imprevistos, estávamos sem água (tudo bem estava chovendo), sem comida, desprevenidos para qualquer emergência, tínhamos que contar com a sorte.

Continuamos nossa aventura, agora com mais emoção porque estava de noite, a chuva aumentou e para piorar, o ponteiro do combustível entrou na reserva e não tinhamos a mínima noção da distância que estávamos do litoral.

A preocupação evoluiu para quase-desespero.

Noite escura com aquele temporal num caminho que parecia não ter fim e a gasolina acabando, “mi Dios del Cielo, o que acer”, difícil era manter o contrôle, mas seguimos firmes e fortes em nosso propósito de alcançar o litoral, até que chegou num ponto do caminho que apareceu uma estaca fincada da beira da estrada com o número 50.

Olhamos a placa e ficamos na dúvida, o que seria aquela estaca com o número 50?

Paramos, olhamos, tentamos entender, no momento não entendemos mas continuamos nossa odisséia, até que muitos minutos depois encontramos outra estaca fincada na beira da estrada com o número 49.

Aí sim entendemos que aquelas estacas era a indicação de quantos kms faltavam para chegar em algum lugar no litoral que não fazíamos idéia de onde seria.

Beleza agora sabíamos que estava perto, mas o que poderia ser um alívio se tornou uma preocupação porque de uma estaca à outra demorava muito; a cada estaca o ponteiro do combustível baixava um pouco.Era uma contagem regressiva nervosa, um olho nas estacas o outro no ponteiro do marcador (que ironia, a gente estava na estrada da petrobrás mas não havia nenhum posto de gasolina).

E o desespero evoluiu para agonia: estaca 48........47.........46........45.......44........43.......42.

Até que chegamos em um ponto em que avistamos algumas luzes ao longe.

Nunca havia dado tanta importância à uma luz acesa. Quando vimos aquelas luzes comemoramos como se tivéssemos chegado ao cume do Monte Everest depois de uma subida tumultuada, mas não, haviamos chegado no litoral de Caraguatatuba no limite do combustível.

Aí sim achamos o bar Abissal, eram 11:30h da noite do dia 27 de dezembro de 2001.

Terminava assim nossa odisséia: descemos a serra. Cont.......... .

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