Mamãocomaçucarcristal
Que saudade daquele tempo em que todos os anos meus pais levavam meus irmãos e eu pra passar as férias de julho em Brazópolis, sul de Minas Gerais.
Primeiro a gente chegava na casa da minha avó Chiquinha e avô Zequinha (mãe e padrasto do meu pai), era só alegria, meus avós ficavam muito felízes em nos ver.
Me lembro que a primeira coisa que eu fazia era correr para o quintal e pegar um mamão maduro. Pedia para alguém descascar, colocava em um prato daqueles esmaltados típicos da roça, aí sim, colocava bastante açucar cristal e comia com o maior gosto, aquele era o momento mais feliz da minha vida. Eu ficava um ano esperando por aquele prato de mamão com açucar da minha vó, que delícia, me lembro como se fosse hoje, ainda agora me veio na boca o gosto de mamão com açucar cristal da vó Chiquinha.
Minha vó era uma amor de pessoa, fazia tudo para nos agradar.
Enquanto me deliciava com meu prato de mamão com açucar, minha vó ia até o terreiro (quintal), colhia algumas espigas de milho e chamava minha mãe e minha irmã para ajudarem na cozinha.
Pegavam as espigas, descascavam, ralavam e preparavam pra fazer pamonha doce, pamonha salgada e curau.
Depois minha vó pegava um saco de amendoim que eles mesmos plantavam, levava prá cozinha e começava ali uma obra de arte.
O amendoim era descascado, torrado, que cheiro bom, e colocado no pilão.
Eu adorava ver a maneira com que minha vó socava o amendoím, olhava seu semblante e via a alegria e a satisfação estampada em seu rosto. Sua felicidade era nos fazer felízes.
O resultado era uma paçoca tão gostosa que arrancava de mim suspiros de prazer.
Como era gostoso ver o trabalho das mulheres na cozinha preparando aquelas coisas deliciosas.
Depois que nos deliciavamos com aquela comida maravilhosa, meus irmãos e eu íamos brincar no quintal, perto de onde meu avô Zequinha deixava uma espécie de varal para curtir o fumo que ele plantava pra seu próprio consumo, aquilo exalava um cheiro forte, mas era bom.
Quando caía a tarde meus pais nos levava pra casa dos meus avós maternos, minha vó Eva e meu avô Sebastião.
Chegando lá corria pro quintal prá um córregao que lá existia, pegava alguns peixinhos prá brincar com meus irmãos e me divertia até cair a noite.(E ainda tem gente que acha que a felicidade está nas coisas materiais).
Jantava e dormia naquele colchão feito de palha de milho que quando a gente se mexia fazia um barulho gostoso..... ahhhhh que sono zzzzzzzzzzzzzz........
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