segunda-feira, 12 de julho de 2010

Anjoporuminstante (part2)


Bom, voltando ao nosso tema, o James e eu resolvemos tomar uma cerveja num quiosque na beira da praia.

Eram 11 e pouco da noite, chegamos no quiosque, pegamos uma cerveja, fomos para a mesa que estava na areia da praia no quiosque.

Antes de sentarmos e degustarmos aquela cerveja geladinha, resolvemos puxar a mesa prá mais perto do mar, ficando assim destacados do quiosque. Não havia mais pessoas próximas.

Coloquei a cerveja no meu copo, depois no copo do James, fizemos tim tim prá brindar e antes de beber olhei pro mar e alguma força fêz com que eu virasse um pouco meu rosto para o lado direito, e nesse instante começou a acontecer o milagre.

Olhando pro mar avistei uma pessoa entre as ondas, a princípio parecia ser um banhista se divertindo, mas continuei olhando e notei algo estranho, aquela pessoa estava sendo levada pelas ondas e se afogaria.

Olhei pro James e disse: “olha lá Jaime tem um cara se afogando”.

Me levantei rápido e saí correndo em direção ao mar a fim de ajudar aquela pessoa, o James veio em seguida.

Cheguei perto daquele homem, estendi a mão para puxá-lo e enquanto ele alcançava minha mão, numa fração de segundo, olhei no fundo de seus olhos e vi o alívio de quem estava à beira da morte e encontrou a salvação.

Aquele homem viu em mim um anjo enviado por Deus naquele momento para salvá-lo, e a satisfação de estar sendo o salvador de sua vida e a gratidão que enxerguei em seu olhar no instante em que eu o puxava pela mão já foi meu pagamento, minha recompensa por tê-lo salvado. Mesmo que depois me dessem alguma coisa de valor material não teria mais valor do que o orgulho que senti naquele momento por estar sendo útil salvando a vida daquele homem.

Na verdade naquela hora não passou pela minha cabeça que poderia ganhar alguma coisa daquela pessoa que não fosse vê-la bem, e outra, não estava escrito na testa dele se era pobre, rico ou, que me daria alguma coisa por isso.

Eu não queria mais nada, estava satisfeito por ter sido usado por Deus prá salvá-lo; essas coisas não têm preço.

Enquanto o James e eu o tirava da água, percebi que o homem estava alterado e com hálito de quem havia bebido um pouco, então ele falou: “não consegui sair porque tenho trombose nos joelhos e eles travaram”, nesse instante vieram umas pessoas correndo em nossa direção prá ver o tinha acontecido, e na frente estava uma mulher que era a sobrinha dele: “o que aconteceu” perguntou muito assustada, “salvamos ele antes que se afogasse” disse.

“Ah tio Nelsom porque não nos avisou que vinha pro mar” falou sua sobrinha, depois nos disse o que poderia fazer por nós por tê-lo salvo, então disse naturalmente que não precisava se preocupar com isso e o que interessava era que seu tio estava bem e que voltariamos à mesa prá tomar nossa cerveja. Ela insistiu dizendo: “então deixa eu pagar sua conta, melhor, venham sentar à nossa mesa compartilhar alguns momentos conosco”, queria nos agradar.

Diante de sua insistência aceitamos e fomos com eles, estavam no quiosque ao lado.

Tomamos nossos lugares, veio o garçon, encheu a mesa com porções e bebidas e ficamos ali conversando, quando soubemos que o seu Nelsom era na verdade o Dr Nelsom, um dos diretores, na época, do Banco Bamerindus.

Percebi que no momento em que ele disse que era doutor, ficou esperando que eu “crescesse os olhos” e pedisse alguma recompensa por tê-lo salvo, na verdade era o que queria que fizesse prá que não ficasse me devendo aquele “favor” que tinha feito à ele.

Foi então que aquele homem arrogante, que até então não havia pronunciado nenhuma palavra de agradecimento dirigida ao Jaime e eu, experimentou algo inédito em sua vida.....

(continua)

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