quarta-feira, 14 de julho de 2010

Anjoporuminstante ( part 3)


Bom, depois de ter salvo a vida daquele pobre homem, que apesar de ser podre de rico, milinário, era pobre de espírito, era carente de valores humanos e sentimentais, valores que realmente fazem a diferença na pessoa.

Aquele homem nunca havia experimentado aquela sensação, e senti que aquilo o estava incomodando.

Ele não falou mas estava implícito nos seus olhos, e o que ele realmente queria dizer era:”PQP, não é possível, tive que ser salvo por esse cara aí, baixinho, magrelo, feínho, e que não tira esse sorriso do rosto, e pior, mesmo sabendo que sou milionário não me pediu nada, ele tem que me pedir alguma coisa prá eu ficar “kites” com ele, não é possível, eu tenho que pagar pelo que ele me fêz, eu sou melhor que ele”.

Mesmo não tendo pronunciado essas palavra, foi essa a leitura que fiz do seu olhar.

Pessoas como ele acham que o dinheiro pode comprar tudo, inclusive pessoas e sentimentos.

Ele não se conformava em ter que dever algum favor prá mim, ainda mais um favor daqueles.

Na sua visão, ele me devia sua vida e tinha que me pagar de alguma forma.

Mas mal sabe ele que já havia me pagado.

No momento em que estendi a mão prá tirá-lo da água, o que vi no fundo de seus olhos foi um agradecimento inconsciente por estar sendo seu anjo salvador, e isso já foi o suficiente prá deixar eu satisfeito e felíz.

Naquela fração de segundo ele não pensou em seu dinheiro, nem em suas propriedades nem em seus amigos milionários, nem em seu uísque com caviar do dia-a-dia; ele só pensou em mim e na felicidade de estar tendo mais uma chance prá viver, que na realidade não era eu quem estava dando aquela chance de vida prá ele e sim Deus, que é o Senhor da Vida e da Morte e que me usou prá fazer aquele milagre, só servi como um instrumento Divino, e sinto orgulho por isso sim.

Mas seu inconformismo com aquilo tudo chegou a um limite que fêz aparecer sua verdadeira face.

Ele achava que estava por baixo diante daquela situação. Achava que eu estava tripudiando dele na conversa que estava tendo com sua sobrinha; na verdade era uma conversa sobre outras coisa , já tinha deixado de lado o assunto do salvamento, eu queria era tomar minha cerveja, comer camarão e me divertir.

Mas ele não se conformou e numa atitude de arrogância total me olhou, ergueu o naríz e disse:”olha aqui “ô muléke” já te disse que sou milionário, tenho num sei quantas propriedades aqui e no exterior, eu limpo a bunda com dinheiro e vou deixar uma bela herança pro meu filho que tem uma moto de um milhao de dólares, e você aí tirando onda com a minha sobrinha, quem você pensa que é?, ela não é pro seu bico nãããão”.

Ele achou que com isso estaria me humilhando como se eu tivesse feito um favor em tê-lo salvado.

Naquele momento todos na mesa ficaram em silêncio, me olhando e esperando alguma reação, alguns acharam que ia baixar a cabeça, outros torciam prá eu levantar e dar uma porrada no meio da sua cara prá calar a boca daquele velho bêbado que só devia dar trabalho e que já estava enchendo o saco de todos, que na maioria eram parêntes e que tinham que ficar quietos porque eram bancados por ele.

Olhei prá ele, ergui o naríz e disse com essas mesmas palavras:”olha aqui o “seu nelsu”, com todo respeito, o senhor pode ser milionário, ter posses, ser não sei o que de sei lá qual banco e pode limpar essa bundona aí com o que você quiser, mas, se não fosse esse cara aqui com pouco dinheiro, baixinho, feínho, magrelo, mas honesto e com muita dignidade e orgulho de ser quem sou ter salvo sua vida, tudo isso que você diz que tem aí não ia valer porra nenhuma prá você”.

Nesse momento congelou a cena, todos travaram, olhei nos olhos de um por um, e vi que me agradeciam. O que disse era o que todos ali tinham vontade de dizer prá ele, mas não podiam dizer porque tinham o rabo preso.

Ninguém demonstrou, mas por dentro de cada um estava uma festa, e o que queriam me dizer era: “caraca meu, valeu cara, até que enfim, esse velho fdp achou alguém que falou umas verdades, ele estava mesmo merecendo e precisando disso, viva o jonny bigu, viiiiiivaaaaaaa”.

Não foi minha intenção, mas já que todos gostaram, vou confessar, eu adorei também dar uma lição naquele cara arrogante.

Então olhei prá ele novamente e ví a fúria em seus olhos, ele não tinha encontrado ainda em toda sua existência alguém que o confrontasse, acostumado a estar acima de tudo e de todos, a mandar e ter todos a seus pés e ter sempre o contrôle das situações, experimentou a sensação de ser contrariado; ficou sem ação por um momento, até que que me olhou e depois de ter tomado umas 7 espanholas gritou: “ora seu muléke” e virou as mesas lotadas de bebida e comida prá cima de mim, mas como estava esperto e já esperava uma reação hostil, me safei e caiu tudo no chão.

Passivo, apenas olhei e lamentei, mais uma vêz ele mostrou ser irracional, repulsivo e sem nenhum valor à ser admirado, só vivia cercado pelas pessoas em razão de suas posses.

Na hora sua sobrinha, com muita educação e morrendo de vergonha me olhou, pediu desculpas e disse prá eu perdoá-lo.

Falei que quem perdoa é Deus e que estava desculpado, afinal até ali a vida não o tinha ensinado certos valores e que tinha aceitado sentar à mesa prá agrada-la por querer retribuir o que havia feito pelo seu tio que por causa de sua arrogância não teve coragem de agradecer.

O James me olhou e disse: “porra bigu você é fd héin meu, valeu, deu uma lição no velho”, pegou na minha mão e me deu um abraço verdadeiro de amigo, aí eu disse pro Jaime: “é meu irmão, tem um pouco de você nisso também, afinal foi com você que aprendi a dizer mais o que penso assim na lata”.

Aceitamos as desculpas, olhamos o velho Nelsom sentado, bêbado, esquecido e desmanchado na areia; no fundo senti foi dó dele, mas foi bom prá ele.

Saímos abraçados e rindo daquilo tudo, porque tava lá um cara que gostava de viver, o JAMES, e tenho certeza, que só por termos salvado aquela vida, foi garantido nosso lugar no céu.

Saímos caminhando pela praia deixando prá tráz aquelas pessoas estarrecidas e com uma bela história prá contar.

Mas acho que tudo isso serviu de lição prá cada um que presenciou tudo aquilo, cada um em seu íntimo aprendeu um pouco, inclusive eu.

Mas na verdade a maior liçaõ quem teve foi o Sr Nelsom em ver que o dinheiro não pode comprar tudo nessa vida, o dinheiro não é tudo na vida, porque esses tipos de pessoas acham que podem comprar tudo.

Que Deus dê longa vida à ele porque têm muita coisa da vida que ele não sabe e que precisa aprender.

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