terça-feira, 31 de agosto de 2010

Quasemorte
Quinta feira, fevereiro de 2000 em Macaé, litoral do Rio de Janeiro, região dos lagos.
Festival de verão, nos dias que antecederia o carnaval aconteceu algo sobrenatural.
A equipe de som, a qual fazia parte como técnico de áudio pela ribasom a serviço da flat e piaf, estava hospedada numa bela casa na praia de cavaleiros em Macaé.
A equipe: claudinho (torau), pretinho (torau), alexandre(barrela), pit(barrela) e eu.
Os shows aconteciam nos finais de semana e tinhamos os outros dias prá curtir o verão naquele lugar maravilhoso. Acordava cedo caminhava dois minutos até a praia, tomava uma água de côco gelada prá curar aquela ressaquinha e caía no mar.
Todos os dias era almoço, praia e à tarde churrasco com cerveja, muita cerveja. O kleber(flat) não come carne, enrolava um big peixe no papel alumínio e botava na churrasqueira, aí armava o som trazia os couros, o manchota pegava o cavaquinho, e aí sim era só alegria até de madrugada.
Na segunda semana do festival que teve como atração na sexta-feira, Cidade Negra e no sábado Banda Eva, estava uma maravilha nessa rotina de água de côco, sol, comida e churrasco com skol.
Após o almoço fomos para o palco (que ficava na praia) ajeitar as coisas para sexta feira.
No começo da noite voltamos prá casa prá tomar banho, como eram cinco pessoas no quarto prá tomar banho, saí sem falar nada e fui tomar meu banho no banheiro que fica no quintal perto da churrasqueira.
Entrei, tranquei a porta e tomei um banho de meia hora, um banho daqueles que deixa a pessoa mais leve e com o astral lá em cima.
Me enchuguei, vesti a roupa e fui sair do banheiro, mas a porta estava emperrada, tentei abrir novamente mas ela insistia em não abrir. Então resolvi usar a força.
Peguei na maçaneta (dessas maçanetas comuns de metal achatado cromado de uns quinze centímetros), e com as duas mãos coloquei bastante força para desemperrar a porta. Então a maçaneta quebrou na minha mão fazendo um corte profundo no meu dedo indicador.
No momento do acidente olhei pro meu dedo que jorrava sangue, foi dando um branco, mas fiz força pra não apagar dizendo prá eu mesmo “não posso apagar, não posso apagar”, abri a torneira prá lavar a mão e apaguei.
À partir daí começou a acontecer o sobrenatural.
Caído no chão molhado do banheiro, sonhei  que estava em perigo e gritei instintivamente pela minha mãe assim: “mããããããe”.
Era um sonho mas o grito foi tão real que ressoou no banheiro fazendo um barulhão que me despertou.
Quando despertei não lembrava quem era, onde estava, nem o que havia acontecido, perdi muito sangue..
A memória foi voltando e aos poucos fui lembrando quem era e onde estava, olhei pro chão vi a pôça de sangue, olhei pro meu dedo vi aquele buraco, tentei chamar alguém ma não lembrava o nome de ninguém.
Então de um gemido saiu um nome e falei: “aaah alexandre”, mas foi só um suspiro, a voz não saía, tentei de novo mas a voz quase não saiu.
Olhei pro meu dedo, aquele sangue no chão e senti que era minha última chance. Se não me ouvissem apagaria de novo e iria sangrar até morrer ou até sentirem falta de mim e me encontrarem..
Fui no fundo do meu íntimo, juntei forças e falei: ”alexandre”, aí sim me ouviram.
Me arrastei até o quiosque da churrasqueira e o primeiro que chegou foi o pretinho, depois o claudinho com o alexandre e por último o pit, que como sempre fêz brincadeira: “pô jonny, você chapou e caiu no banheiro meu”, foi a primeira vez que gostei de uma brincadeira do pit, afinal estava vivo prá ele continuar me zuando por muito tempo.
Queriam me levar pro hospital, levaria no mínimo dez pontos, mas não quiz ir (tenho mó medo de agulha).
No outro dia fui à farmácia, comprei um analgésico, um antí-inflamatório, me auto mediquei. Então á noite trabalhei no show do Cidade Negra, no sábado Banda Eva e no domingo o corte havia cicatrizado o remédio acabado e estava pronto pro churrasco de novo.
Algo sobrenatural havia acontecido naquele dia, uma força estranha em meu sonho me fêz gritar e meu grito fêz eco no banheiro me despertando daquela viagem, eu me acordei. Se não fosse o sonho talvez não voltaria; sangraria até a morte!
Uma força estranha, que cada um dentro de sua crença tem uma forma de chamar, me tirou do caminho da morte e me trouxe de volta à vida.
Foi uma das experiências mais importantes da minha vida.
Eu quase morri?

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